Mário sorri. Um sorriso triste, de quem disfarça uma mágoa passada. Tem um semblante constantemente sério, por isso o sorriso não se aguenta nos lábios, pouco habituados aquela expressão. Maria olha-o. Repara como a barba lhe cresceu nos últimos dois meses. Um emaranhado de pelos raramente cuidados. A roupa não está mais apresentável. Limpa, mas amarrotada e pouco pensada nas combinações entre cores e texturas. Estende-lhe a mão e cumprimenta-o. Como estás. Estou bem e tu. Bem, sim. A lembrança do outro. Dos trejeitos no rosto. O reconhecimento da mentira. Não estás nada bem. Pois, tu também não. A mão dela, na mão dele, separa-se. Afastam-se. Ele acende um cigarro enquanto caminha. Ela abre o chapéu de chuva vermelho.
AURORA BOREAL
Na madrugada da vida...
30 de Janeiro de 2012
30 de Novembro de 2011
24 de Novembro de 2011
Conta-se que um turista foi à cidade do Cairo, no Egipto, com o objectivo de visitar um famoso sábio.
O turista ficou surpreendido ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
- Onde estão os seus móveis? - perguntou o turista.
O sábio olhou ao seu redor e perguntou também:
- E onde estão os seus...?
- Os meus?! - surpreendeu-se o turista - Eu...estou aqui só de passagem!
- Eu também... - concluiu o sábio.
20 de Novembro de 2011
24 de Junho de 2011
20 de Junho de 2011
Alentejo...
A paisagem alentejana perde-se de vista. O silêncio interrompido apenas pelos sons dos animais. Faneca sorri timidamente, olhando por debaixo dos óculos escuros.
- Ó Faneca! – ruge uma mulher do outro lado da piscina – Anda cá à tua Guidinha, Faneca!
A mulher robusta, de pernas e braços roliços, ancorada na beira da água, rindo alto. Perto de si, um pássaro assustado, levanta voo.
18 de Maio de 2011
...
André chorou. Há muito que tal não acontecia. Os homens não choram, porra! Dentro do carro, mãos na cara, deixou que a angustia daqueles últimos dias o invadisse. Chegara ao fundo do poço e continuava a cair. Sem chão. Sem onde agarrar-se. Estilhaçado.
Maria parou o carro de repente no meio da ponte. O condutor de trás apitou-lhe nervosamente, ultrapassando-a enquanto esticava o dedo num gesto provocador. Alheia a tudo, Maria, abriu a porta lentamente e saiu. Na rua, caminhou. Chovia, mas ela não sentia nem o frio nem a água que teimava em cair abruptamente.
João saltou do comboio em andamento em pleno Alentejo. Olhou o céu estrelado e pensou: este é o primeiro dia da minha vida.
Ana, treze anos, deitada na cama, observava atentamente, há horas, a fotografia do seu actor favorito e sonhava com o dia em que se casaria com ele.




